• O futuro da eletricidade: Alto nível de investimento necessário em todas as áreas

electric power distribution pylons

O setor de eletricidade e as empresas de eletricidade envolvidas estão passando por uma transformação crítica, sem precedentes e desafiadora – uma transição em direção a um sistema de energia mais resiliente em relação ao clima, com menor pegada de carbono, e que acabe ficando "mais próximo do cliente". A penetração generalizada das fontes de energia renováveis no mix do suprimento de eletricidade, associado à pressão constante por tecnologias mais inovadoras – seja em toda a rede ou no lado da demanda – implica não apenas uma oportunidade para dar mais poder às sociedades de uma forma mais sustentável ambientalmente, mas também pode ser percebida como um ataque perigoso ao suprimento de eletricidade confiável. Em qualquer caso, um dos componentes mais críticos em construir o setor de energia elétrica do futuro está atraindo o investimento necessário.

Um novo relatório do Fórum Econômico Mundial "O Futuro da Eletricidade - Como Atrair Investimentos para Construir o Setor Elétrico do Futuro ", redigido em conjunto com a Bain & Company , descreve como atrair investimentos necessários e aproveitar essas novas oportunidades, através de integração, expansão e modernização. O relatório instrutivo oferece recomendações sensatas para parlamentares, agentes reguladores e empresas nos mercados da OCDE. Idealmente, três metas principais precisam ser sincronizadas e, ao mesmo tempo, deixar espaço para os modelos de negócio das empresas, para gerar lucro: segurança do suprimento da energia, sustentabilidade ambiental e competitividade econômica. Este último refere-se a manter o ritmo do crescimento e desenvolvimento econômico, mantendo os custos da eletricidade administráveis.

As concessionárias de energia elétrica sabem basicamente como sair do "apuro" em que se encontram atualmente. Elas também sabem que precisam adaptar seu modelo tradicional ao novo ambiente - um ambiente frequentemente com muito fluxo. Entretanto, como diz o ditado, "o diabo está nos detalhes", em relação à concepção do mercado vislumbrado e seus próprios modelos de negócios "renovados" - detalhes muito caros para participantes tradicionais do mercado de eletricidade, com uma concorrência de repente bem mais descentralizada, mas com a mesma e velha "obrigação de servir".

Ignacio Galán, presidente e CEO da Iberdrola (Espanha), descreve as forças transformadoras em jogo no "novo" mercado da eletricidade:

"Uma mistura de fatores tecnológicos, econômicos, regulatórios, ambientais e societários está resultando em um sistema de eletricidade de carbono mais baixo, digitalizado, com novos participantes surgindo. Esse novo cenário será mais complexo e inter-relacionado do que nunca. Ao mesmo tempo, a IEA estima que um investimento de 7,6 trilhões de dólares até 2.040 será exigido dos países da OCDE. Em um setor habituado a ciclos de investimento de longo prazo e estruturas de políticas estáveis, essa transformação introduz incertezas políticas e complexidades no projeto do mercado".

O que é importante entender aqui é que há uma ligação quase invisível entre "atrair o investimento necessário" para gerar, bem como fornecer energia confiável e "incerteza". O relatório enfatiza que a "[in]certeza sobre o regime futuro inibe investimentos e ameaça tanto a redução de carbono e a segurança do suprimento" e adverte reguladores para "harmonizar incentivos, incentivar a interconexão física adequada e remover barreiras regulatórias desnecessárias para a concorrência entre participantes existentes e novos".

Assim, enquanto parlamentares são encorajados a "criar estruturas políticas que sejam eficientes, estáveis e flexíveis, reconhecendo o ambiente tecnológico e econômico inerentemente incertos em que vivemos", se espera que os reguladores forneçam orientações claras aos mercados, sem intervenções indevidas.

Quanto ao panorama de investimentos, o relatório aponta que o "elevado nível de investimento visto nos últimos cinco anos terá de continuar se os objetivos da política energética precisarem ser cumpridos. (...) Apesar de ter investido três trilhões de dólares entre 2000 e 2012, o setor está a menos de 30% do caminho completo - com mais 7,6 trilhões de dólares previstos até 2040." Mais importante de tudo, o relatório deixa claro que " investimentos serão exigidos em todas as áreas, em capacidade convencional e renovável, centralizada e descentralizada (US$ 180 bilhões por ano), e a expansão e modernização das redes de transmissão e de distribuição ($ 100 bilhões por ano)".

Depois das discussões de hoje sobre o futuro da geração de energia e o mix energético, podemos ficar refém do equívoco de que a energia convencional ficará obsoleta no futuro e, portanto, não precisará de qualquer financiamento adicional hoje. Bem, se isso fosse verdade países ao redor do mundo não estariam discutindo o conceito de um "mercado de capacidade", a fim de manter a adequação do sistema. Entretanto, O que é verdadeiro e deve ser bem-vindo é o fato de que "tecnologias mais inteligentes serão necessárias para dar aos clientes uma maior variedade de opções, desde uma gestão mais ativa da demanda ao maior uso de fontes de geração distribuída."

Mas isso também tem seu preço - requer um elevado nível de investimento em redes elétricas que irão "conectar a nova geração de energia renovável e (...) fornecer a capacidade de reserva flexível e confiável para fontes intermitentes." A este respeito, considerem o que o ex-secretário de Energia dos EUA e prêmio Nobel Steven Chu - professor da Universidade de Stanford, em física e fisiologia molecular e celular - tinha a dizer em uma entrevista , debatendo o cenário da energia atual e o panorama para o futuro:

"Há países que têm cerca de 25% de energia intermitente integrada ao longo do ano. Um dos desafios é como você passa de 25% para 50% e maiores valores ainda. Isso significa que você tem que balancear as cargas em áreas mais extensas, porque quanto maior for a área em que você coletar a energia, mais fácil será balancear as coisas. Mas, no nível de 50% você precisará de armazenamento de energia também".

Altos níveis de investimentos necessários para construir os de sistemas de energia do futuro

Em geral, as empresas de energia elétrica tradicionais terão que chegar "mais perto do cliente", para permanecerem rentáveis. As concessionárias envolvidas têm uma vantagem que os novos operadores não trazem à mesa de negociações; especificamente, "relacionamentos de longo prazo com os clientes e conhecimento de suas necessidades de seus clientes, que poderiam alavancar." "As imensas quantidades de dados produzidas por medidores inteligentes, dispositivos conectados e outros dados de consumidores oferecem oportunidades comerciais potencialmente interessantes, incluindo a análise dos "big data", oferecendo oportunidades para produzir ou consumir eletricidade com mais eficiência", observou o relatório.

Concessionárias de energia tradicionais poderiam capitalizar sobre isso fazendo parcerias com empresas de tecnologia. O gráfico abaixo ilustra o modelo atual e o modelo futuro imaginado. O que é surpreendente é uma mudança do aparente "poder de mercado" das empresas de energia elétrica, que ainda operam predominantemente sob o "velho" paradigma da estrutura do mercado de energia, para basicamente puro "sentimento do cliente". O resultado é o potencial para o fluxo de energia em ambos os sentidos, a abertura de novas oportunidades de negócio e de investimento fora dos caminhos batidos e, acima de tudo, o surgimento do "prosumer, que em português poderia ser produmidor" - frequentemente um adepto entusiasta do estilo de vida conectado, com base - idealmente - em um suprimento de energia ambientalmente sustentável.

Novos negócios e oportunidades de investimento aparecem "perto do cliente"

Em suma, se a energia distribuída é para ser integrada com sucesso na rede elétrica, o investimento deve ser mantido em todas as áreas - ou seja, também para modernizar a capacidade convencional - com, mais importante ainda, " novos sistemas de remuneração (...) requeridos que melhor valorizem a capacidade de rede confiável e o novo papel em evolução dos operadores das redes". Observem, a estabilidade dinâmica da rede é reduzida cada vez que usinas de grande porte são tiradas da linha e são substituídas por fontes de suprimento de energia renovável de tamanho menor, que são conectadas via inversores de conexão à rede elétrica (convertem CC em energia CA (por exemplo, energia solar)). Tudo se resume a ter acesso confiável às conexões da rede e isto tem que ter um valor monetário.

Leia o relatório inteiro "O Futuro da Eletricidade - Atrair investimento para construir o setor elétrico do futuro" aqui.

Este artigo foi escrito por Roman Kilisek da Breaking Energy e foi licenciado oficialmente por meio da rede de editores NewsCred.